Revelando os Brasis | Revelando resgata mistérios no bairro Japão, de Brazópolis (MG)

EDIÇÃO - Ano V

Revelando resgata mistérios no bairro Japão, de Brazópolis (MG)

 

Pedro Dias Pereira era um curandeiro muito conhecido no bairro Japão, na pequena cidade de Brazópolis, em Minas Gerais, graças aos seus benzimentos e rezas para aliviar as dores do corpo e da alma. Mas, histórias fantásticas sempre cercaram a vida do popular rezador e de sua família. É baseado nas lembranças de seus antepassados que o professor Pedro Dias Teixeira decidiu se inscrever na quinta edição do Revelando os Brasis. Selecionado pelo projeto, o mineiro acaba de gravar as cenas da ficção “Mistérios no bairro Japão”.

Antes das filmagens, Pedro e mais 19 moradores de cidades pequenas vindos de várias partes do Brasil participaram das Oficinas Audiovisuais realizadas pelo projeto, no Rio de Janeiro. Os autores estudaram com especialistas renomados da área do cinema noções básicas sobre roteiro, produção, direção, fotografia, direção de arte, som, dentre outras disciplinas. As aulas os prepararam para transformar as histórias que contaram em documentários ou ficções de curta-metragem.

O Revelando os Brasis promove a democratização do acesso aos meios de produção audiovisual, oferecendo aos moradores das pequenas cidades com até 20 mil habitantes a possibilidade de contar suas próprias histórias através do cinema. Trata-se de um instrumento de registro da memória e da diversidade cultural do país e revela novos olhares sobre o Brasil. O projeto é realizado pelo Instituto Marlin Azul com patrocínio da Petrobras através da Lei Rouanet.

A história – Desde criança, as histórias envolvendo o avô de Pedro o impressionaram, deixando uma brisa sobrenatural sobre a casa da família na pequena cidade mineira, localizada na microrregião de Itajubá. Uma delas resgata a imagem da bela jovem que se recusou a se casar com Pedro Pereira depois que o curandeiro ficou viúvo com cinco filhos. Obrigada a se casar pelos pais, a moça se envenenou na noite de núpcias e foi enterrada com o vestido de noiva. O tempo passou, Pedro Pereira encontrou uma viúva com três filhos e teve mais quatro filhos. Certa noite, a noiva morta apareceu no meio da noite andando lentamente em direção da casinha de despejos até desaparecer.

Outra história viva nas lembranças dos familiares envolve a mãe do diretor e filha do curandeiro, Dona Antônia. Certa vez, quando ainda era criança, a menina começou a brigar com os irmãos, provocando a ira do pai. Irritado, ele a mandou para o inferno. A garota foi para o castigo no quartinho do tear e por lá ficou, pois a família se recolheu para dormir, esquecendo a filha no quintal.

Quando a escuridão avançava noite adentro, os parentes acordaram com barulhos estranhos no terreiro. De repente viram a menina montada em um bicho estranho que pulava de um lado para o outro. Imediatamente, o curandeiro apontou o terço na direção do bicho, gritando as rezas poderosas. O monstro desapareceu e a menina apareceu suja de estrume. Durante muito tempo, a criança teve que usar um rosário no pescoço para invocar a proteção contra o mal.

“É um prazer e uma realização pessoal resgatar as histórias contadas pela minha mãe, a dona Antônia, e transformar em filme. Crescemos ouvindo estes contos envolvendo nosso avô materno, um curandeiro muito respeitado por todos na cidade, uma liderança religiosa importante”, conta Pedro Teixeira. Para o diretor, a participação no projeto está lhe dando a oportunidade de registrar estas histórias e de divulgar a cidade para todo o país.

O diretor – Professor de Português e de Literatura,Pedro Dias Teixeira incentiva os alunos do Ensino Médio a escrever histórias. Coordenou o projeto que resultou na publicação do livro “Sem Medo de Assombração”, integrado por textos dos alunos.

Além do gosto por relatos fantásticos, o diretor participa de ações de valorização da cidadania cultural e da preservação da história e da arquitetura da cidade. Integra o Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), responsável por conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar e preservar os bens imóveis, móveis ou imateriais de Brazópolis. Apaixonado pela Literatura e o Teatro, ajudou a fundar o Grupo Jeca, encarregado de organizar peças, algumas delas, baseadas em clássicos literários, como Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. O diretor também participa ativamente das atividades carnavalescas do município. Chegou a presidir a Escola de Samba Avenida Unidos Brasil.

 

Confira o depoimento do diretor durante as Oficinas Audiovisuais, no Rio de Janeiro:

 

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