EDIÇÃO - Ano VI

Urucuia abraça sessão de cinema, em Minas Gerais

Duas mil pessoas lotaram a Praça Central de Urucuia, no cerrado mineiro, nas veredas que inspiraram a prosa de João Guimarães Rosa, para assistir ao documentário Baixa Funda, o Destino de um Povo, do diretor Marcello Sannyos.

Moradores de diferentes partes do município e de outros lugares da região, como Arinos e Riachinhos, quebraram a rotina da pequena cidade para um grande encontro comunitário diante da telona nesta quarta-feira (29/08). Aos poucos, as cadeiras espalhadas pelo espaço ficaram lotadas. Quem chegava ia se acomodando ao redor. As crianças e adolescentes se espalharam pelo tapete central. A passarela entre as cadeiras também abrigou espectadores. As escolas do local liberaram os alunos para assistir à mostra com o compromisso de que cada um escrevesse o que sentiu e aprendeu com a experiência de cinema. Em volta, barraquinhas de produtos locais ficaram lotadas com o movimento da sessão. Para abrir o evento, as dançarinas do grupo APAExonantes alegraram o público com a apresentação do carimbó.

Desde 22 de agosto, a mostra de ficções e documentários está viajando o país para contar histórias reais e inventadas feitas nas pequenas cidades com até 20 mil habitantes. Ontem, a estrela da noite era uma história que pulsa na própria cidade, na região da Baixa Funda, onde vivem famílias de descendentes de negros escravizados e de indígenas. Os espectadores conheceram a partir de um olhar do cinema a vida de uma mulher mestiça, trabalhadora rural, dona de casa e benzedeira, mãe de onze filhos, a Dona Joana Martiliana, moradora da Baixa Funda.

Cenas familiares e pessoas conhecidas do cotidiano despontam na tela. O documentário resgata os traços culturais e o jeito resistente de viver de uma comunidade de descendentes quilombolas, destacando elementos como a religiosidade, as moradias de pau-a-pique, a crença no poder de cura das plantas, o cultivo da terra e as lembranças das histórias da escravidão contadas pelos antepassados da família da protagonista. O filme foi muito festejado pelo público. O diretor Marcello Sannyos esbanjou simpatia e conta como viveu a emoção do circuito:

“O dia foi cheio de expectativa pra mim, para a cidade, para a equipe de produção e para os moradores de Baixa Funda! Durante o dia, fomos até a comunidade onde foram feitas as filmagens para reforçar o convite para a sessão. A apresentação superou todas as expectativas principalmente de recorde de público. Fizemos um trabalho de mobilização muito grande. Fomos às escolas municipais e estaduais, convidamos os amigos do Instituto Federal, que fica no município de Arinos. Vieram professores de lá, profissionais da Apae, representantes do Sebrae, representantes da Secretaria de Turismo e Cultura de Urucuia. As alunas da Apae fizeram a abertura do evento com o carimbó, a dança das saias. Foram exibidos dois filmes antes do documentário da cidade. Depois vimos o filme da Baixa Funda. Todo mundo ficou concentrado assistindo. Assim que terminou, veio uma grande salva de palmas. Fiquei muito feliz! Para o fortalecimento cultural, esta ideia de levar a história da Dona Joanna, a história de uma mulher negra, rural e forte, principalmente pra nós do noroeste de Minas, dentro de um contexto de cinema, foi muito importante para nossa região. A expectativa foi superada e após o filme recebi muitos abraços de incentivo. Até agora estou colhendo frutos da exibição. Foi maravilhoso!”

Muito obrigada, Minas! A caravana de cinema pega a estrada rumo a Lençóis, na Bahia.

Fotos: Ratão Diniz

 
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