EDIÇÃO - Ano VI

Na tela do cinema, a Comunidade Quilombola de Lagoa da Pedra!

Uma comunidade contando sua própria história: suas palavras, seus personagens, suas tradições, seus caminhos vistos a partir dos olhos daqueles nasceram e que vivem ali. Essa característica do Revelando os Brasis, uma das molas propulsoras do projeto, esteve em evidência ontem na Comunidade Quilombola de Lagoa da Pedra, em Arraias (TO). Foi dia de assistir uma filha da comunidade, Lucrécia Dias, lançar o filme “A Sússia”. Gravado ali, o filme mostra a roda de dança e música tradicional quilombola do Tocantins.

Lagoa da Pedra é uma Comunidade com cerca de 40 casas, distante 30 minutos da sede do município de Arraias. A sessão desta sexta-feira reuniu cerca de 400 pessoas, de Lagoa da Pedra e da comunidade vizinha, Canabrava. Lucrécia e sua família ofereceram um jantar para todos os presentes.

A comunidade apresentou a Sússia na abertura da sessão, com as meninas de saias floridas e rodadas dançando ao som do ritmo feito pelos rapazes na caixa e no bumbo. O filme dirigido por Lucrécia foi o quinto da noite de cinema, arrancando aplausos da plateia. A diretora aproveitou a momento para agradecer a comunidade e reforçar o sentindo de coletividade, confiança e orgulho de pertencer a Lagoa da Pedra. Homenageou ainda a sua mãe, que era um destaque na dança da Sússia.

A sessão contou com a presença de professores da Universidade Federal do Tocantins, que registraram e a sessão, e de Carlúcia Melo e seus familiares. Carlúcia foi selecionada na quinta edição do Revelando os Brasis e também é moradora de Arraias.

Veja o depoimento de Lucrécia Dias sobre a sessão em Lagoa da Pedra:

“Transformar a história, a cultura da minha comunidade em filme, para mim foi incrível. Virou um filme, que vai ficar para as gerações futuras. E isso é muito legal. Eu ter homenageado a minha mãe foi o mais legal, e ver o encanto das pessoas de se verem no telão! Tem um significado enorme de estar preservando a cultura da minha comunidade. É uma cultura muito bonita, da qual eu me orgulho muito. E ter essa cultura registrada por mim, que sou de lá, que vivencio isso, foi muito gratificante. Até porque a gente via as pessoas de fora vir contar nossas histórias, então faz diferença ver a história sendo contando pela gente. E foi um filme leve, divertido, as pessoas gostaram muito. O significado maior é ter a Sússia registrada pelo cinema, para o mundo, para sempre. Espero que esse documentário seja o primeiro de muitos que possam vir junto com a comunidade, com os jovens”.

Fotos: Ratão Diniz

 
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