EDIÇÃO - Ano VI

História do Quilombo Mata Cavalo (MT) contada pela própria comunidade vai para as telas de cinema

A luta pela terra, as tradições, a história de antepassados escravizados, o cultivo da terra: o Quilombo Mata Cavalo e seus mais de 100 anos de história viram filme feito pela própria comunidade no Revelando os Brasis. “Uma coisa que todos gostaram foi o fato de que a história estava sendo contado pela gente mesmo, pelo nosso povo. Diferente de outras vezes que vinham pessoas de fora e não deixavam o retorno para a comunidade. Dessa vez está sendo diferente. As ideias foram nossas”, conta Jurandir Amaral, selecionado na sexta edição do projeto e diretor do filme.

Essa é a primeira experiência de Jurandir com produção cinematográfica. Em agosto, ele participou da Oficina de Realização Audiovisual do Revelando os Brasis, no Rio de Janeiro. E agora, entre os dias 18 e 21 de janeiro, teve a oportunidade de colocar em prática o que aprendeu. “Essa minha primeira experiência como diretor foi complicada, porque é muita responsabilidade. Mas equipe estava ali do lado o tempo todo, auxiliando. Foram dias muito intensos, eu gostei muito”, relata.

O filme “Vivenciando a Cultura do Quilombo Mata Cavalo” entra agora na fase de edição. O lançamento está previsto para este primeiro semestre de 2018, durante o Circuito Nacional de Exibição do Revelando os Brasis. Jurandir conta que a expectativa já é grande: “A comunidade espera que isso traga mais visibilidade para o Quilombo. Eu estou muito feliz com este trabalho e espero que outras pessoas tenham essa mesma oportunidade de poderem retratar suas comunidades”.

O Quilombo Mata Cavalo está localizado a cerca de 50 km de Cuiabá, no município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Em 1883, os cerca de 15 mil hectares de terra do quilombo foram recebidos como herança pelos 33 negros escravizados que trabalhavam na sesmaria. Os antigos donos, que não tinham filhos, fizeram um acordo: os escravos cuidariam deles até o fim da vida e, em troca, receberiam as terras da fazenda. Atualmente, as quase 500 famílias que vivem no Quilombo se sustentam a partir da agricultura e do artesanato.

Fotos: Gustavo Louzada/Instituto Marlin Azul

 
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