EDIÇÃO - Ano VI

Dança, história e tradição iluminam noite de autores do Revelando os Brasis

Noite de quarta-feira, 22 de agosto de 2017. De pé na Praça Floriano, numa das regiões mais populares do centro do Rio de Janeiro, olhos de diferentes brasis observam o exuberante e imponente Theatro Municipal. Ao redor destes brasileiros vindos de todas as regiões do país, outros brasileiros,  moradores da cidade,  circulam apressados sem perceber o espetáculo de emoções e descobertas que se abre no cotidiano da capital carioca.

Provenientes de pequenos lugares dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Bahia, Paraíba, Alagoas,  Ceará, Pará e Tocantins, os autores das histórias selecionadas pelo Revelando os Brasis VI se deparam pela primeira vez com o prédio, inaugurado em 1909, uma das principais casas de espetáculos do Brasil e uma das mais importantes da América do Sul.

Para cada visitante, a noite representa uma nova visão de elementos históricos, culturais e artísticos. Para todos, uma experiência de  encantamento e alegria, uma oportunidade de  compartilhar um pedaço do patrimônio brasileiro.

As escadarias da casa levam para um interior tão bonito quanto seu exterior, demonstrando não ser uma única vida suficiente para perceber tantos detalhes esculpidos em mármore, bronze, ônix, e tantos outros materiais nobres, tantos fragmentos visíveis e invisíveis de uma história pertencente a todos.

Mas dentro desta noite caberia uma emoção ainda maior. A convite da Petrobras, patrocinadora do projeto, os autores se preparavam para assistir ao novo espetáculo do Grupo Corpo, um das companhias de dança mais famosas do mundo, criada há mais de quatro décadas.

Gira é o novo trabalho dos bailarinos. Uma incursão pelos ritos religiosos em especial da umbanda e do candomblé. Com a finalidade de vivenciar um tema tão intrínseco no imaginário brasileiro e traduzir esta manifestação de modo intenso e genuíno, o grupo “ultrapassou os limites dos conteúdos litúrgicos da religiosidade para alcançar a força perene – porque atemporal e universal – da espiritualidade”.

Inspirado nos terreiros, a companhia se desprendeu da necessidade de criar um cenário para montar uma instalação em que os personagens dormem nas sombras, distribuídos em um imenso círculo, ao redor do palco central, escondidos sob vestes negras. Apenas uma pequena luz estática flutua sobre cada cabeça. Segundo a descrição do espetáculto, a gira é o espaço da luz para onde estes personagens, cada um a seu tempo, se deslocam durante a apresentação.

A experiência marcou a vida da quilombola Lucrécia de Moura Dias, estudante de 28 anos selecionada pelo projeto, vinda de Arraias, no Tocantins. “Foi maravilhoso! Eu nunca imaginava que teria oportunidade de conhecer um espetáculo tão bonito. Fiquei emocionada de ver aquela dança, os movimentos. Chegar no Theatro Municipal foi incrível. E quando eu entrei no prédio foi uma coisa que não tenho nem palavras para dizer.  Para minha realidade, morar numa comunidade rural, ser de uma comunidade quilombola, viver numa cidade que não tem nada parecido, vivenciar isto tudo foi uma oportunidade única. É difícil de descrever a sensação. Uma das coisas mais emocionantes da minha vida”, relata Lucrécia, que vai transformar em filme uma história sobre a Sússia, uma manifestação de dança da região onde vive, no interior tocantinense.

A riqueza de um tema tão brasileiro, misturada à força, técnica, poesia e delicadeza dos bailarinos, renovou a inspiração dos autores do Revelando os Brasis VI. Até 27 de agosto, eles estão participando das Oficinas Audiovisuais, no Rio de Janeiro. Depois do curso, eles retornam as suas cidades para transformar em filme as histórias que contaram.

Fotos: Ratão Diniz/Instituto Marlin Azul

 

 

 
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