EDIÇÃO - Ano VI

Cinema no meio da aldeia envolve novas e antigas gerações indígenas

Depois de visitar pequenas cidades das regiões Sudeste e Nordeste, o caminhão-cinema pousou bem pertinho da mata, no coração de uma aldeia indígena. A segunda sessão do Circuito Nacional de Exibição Revelando os Brasis VI em Bom Jesus do Tocantins, no Pará, aconteceu na Aldeia Parkatêjê, na noite deste domingo (16/09), para lançamento do filme “A Guerreira Gavião”, de Robson Messias.

A novidade despertou o interesse dos grandes e também dos pequenos moradores. Chegara o dia de conferir em som e imagens o resultado do filme feito com a participação dos habitantes do lugar. A atração começa com a chegada da equipe para montagem da sessão. Logo a garotada é a primeira a se aproximar da estrutura que sustenta a tela. Ao mesmo tempo, as crianças ficam fascinadas com a câmera fotográfica e não perdem a oportunidade de experimentar o equipamento usado no registro das exibições.

Mais uma vez a ansiedade e a curiosidade inundaram os instantes iniciais do evento. A principal história da noite envolvia uma índia que tivera o bebê raptado. O elenco estava todo reunido. E como se a vida imitasse a arte, o clima na sessão foi marcado pelas emoções da maternidade.

A protagonista Cuia Pá, veio para a exibição na companhia da filha recém-nascida, com apenas cinco dias, a pequena Prinanéré, também chamada Aline, em homenagem à personagem da mãe na ficção. Jampramrê, a grávida da sequência inicial do filme, que está prestes a ganhar, de fato, o seu menino, também veio para a sessão. Indígenas de outras comunidades prestigiaram o circuito de cinema. O cacique Cuia fez um agradecimento e convidou a esposa para também falar ao público.

Para o diretor, Robson Messias, era o momento de entregar à comunidade a obra audiovisual que registra e guarda traços da vida em uma aldeia indígena. “Quando começamos a passar o filme, percebemos que tanto as crianças quanto os adultos coloram na telona. E ficaram vidrados com cada cena, com cada imagem. A gente observava que eles torciam, ficavam emocionados”, relatou Robson.

Assim, aos poucos a ansiedade foi se desfazendo para abrigar a emoção. De repente, o céu se encheu de nuvens e derramou suas águas sobre o plateia, quando todos assistiam à cena final de A Guerreira Gavião. Para a coordenadora do projeto, Beatriz Lindenberg, que está viajando com a caravana desde o dia 22 de agosto, a chuva tem um valor simbólico, representa a fartura. Foi um momento abençoado! O público se emocionou com o desfecho da história. Cerca de 400 pessoas assistiram à programação.

Muito obrigada, Bom Jesus do Tocantins! Valeu Pará! O caminhão-cinema se prepara agora para seguir em direção a Arraias, no Tocantins.

Fotos: Ratão Diniz

 
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