Melhores momentos no Tocantins!

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Nossa retrospectiva do Circuito Nacional Revelando os Brasis V continua na região Norte. A caravana chegou ao Tocantins com o coração aos pulos de alegria e ansiedade para mais uma sessão de cinema na rua. Mas, desta vez, a emoção trazia um desafio a mais, pois uma das sessões aconteceria no Quilombo Kalunga do Mimoso, numa região com pouca infraestrutura e difícil acesso.

A primeira sessão foi realizada em Arraias, no dia 25 de novembro. O documentário “Mulher Guerreira” era a grande estrela da noite. Com roteiro, produção e direção de Carlúcia de Melo Soares, o filme mostra a trajetória de vida de uma mulher que desafiou a discriminação e o preconceito para se tornar pedreira e ser respeitada e valorizada. A primeira noite de exibição reuniu 300 pessoas e empolgou a diretora que falou sobre a sua raça, suas dificuldades e contou um pouquinho sobre a sua história.

Após a primeira noite de lançamento, a equipe seguiu seu caminho em direção ao Quilombo. A próxima sessão estava marcada para 27 de novembro. Uma noite para celebrar a sétima arte num pedacinho do Brasil ainda com pouca infraestrutura, mas que sobra em força comunitária, trabalho colaborativo e em disposição para festejar os bons momentos.

Foi a primeira vez que os moradores do lugar, que não conta com o fornecimento de energia elétrica, tiveram um cinema completo – com tela, cadeiras, projetor – montado na comunidade. Foi ali que nasceu a diretora do curta-metragem, única selecionada do Tocantins nesta quinta edição do Revelando os Brasis.

O Quilombo Kalunga do Mimoso está localizado no sudeste do Tocantins, ocupando uma área que compreende parte dos municípios de Arraias e Paranã. São cerca de 100 quilômetros em uma estrada de difícil acesso entre a sede de Arraias e o Quilombo. Por ser a primeira vez que o projeto realiza uma sessão de cinema em um local sem fornecimento de energia elétrica, a caravana chegou com um dia de antecedência, para fazer os testes e instalar o gerador, cedido pela Prefeitura Municipal de Arraias.

A montagem da estrutura começou cedo, no campinho de futebol. O preparo da janta também não tardou em começar. Uma turma animada se revezou para picar legumes e verduras, acender a fogueira, colocar as panelas no fogo. Os ônibus municipais que em dias normais levam as crianças para as escolas da comunidade, passavam pelas casas buscando não apenas os alunos, mas também pais, mães, avôs e avós, para levar todos para o cinema.

Uma chuva forte caiu durante a tarde, ameaçando a realização da sessão. Mas a chuva parou, e quando a hora marcada foi se aproximando, não eram apenas os ônibus que estacionavam por ali. Muitos vinham de moto, de carro, a pé, montado no lombo do jegue ou do cavalo. O importante era não perder a oportunidade de ver o próprio Quilombo retratado na telona.

Como havia muitas crianças na plateia, a noite de cinema começou com diversos filmes de animação. Enquanto isso, o jantar era servido. Galinhada, salada, feijão e macarrão estavam no cardápio. Na telona, filmes do Revelando os Brasis passaram a compor a programação, até o ponto alto da noite: o lançamento de “Mulher Guerreira”.

Depois de mais de duas horas de filme na telona, a iluminação do campo, preparada com lâmpadas e refletores pela produção do projeto, foi acesa e a festa começou. O projetor continuou ligado, exibindo imagens das gravações do filme no Quilombo, proporcionando mais oportunidades das pessoas se verem ali. A animação ficou por conta da “Suça”, um ritmo local, e do forró, e a festa só acabou quando a chuva resolveu voltar, no início da madrugada!

Fotos: Gustavo Louzada

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