EDIÇÃO - Ano VI

Antônio Prado recebe Caravana de cinema nesta sexta-feira

A tradição de reunir as famílias da comunidade para depois das orações de agradecimento partilhar os alimentos e celebrar a vida com cantos e dança marcou a vida dos imigrantes italianos que se estabeleceram na região da Serra Gaúcha após a chegada ao Brasil. A manifestação preservada hoje por poucas famílias de descendentes de imigrantes é a inspiração para a ficção “Filó”, de Maria Odete Meotti de Bairros, moradora de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul. O filme será lançado nesta sexta-feira (05/10), às 19 horas, na Praça Garibaldi, no município, como parte do Circuito Nacional de Exibição Revelando os Brasis VI.

A história –  A tradição do Filó começou com as primeiras famílias de imigrantes italianos chegadas ao município gaúcho, fundado em 1899. Quando surgiu, o encontro de pessoas de todas as idades para a partilha do alimento e dos dons era utilizado não somente nas celebrações festivas mas também nos diferentes momentos do cotidiano dos imigrantes, como a colheita, o nascimento e até o óbito. Era uma maneira de a comunidade se ajudar coletivamente e, assim, fortalecer laços e vínculos comunitários.

“Lá no começo da imigração, os imigrantes sofreram muito. Eles vieram empobrecidos, passaram muita dificuldade. Não tinham ferramentas, roupas, e o trabalho era árduo. E esta cultura do trabalho muito árduo não permitia espaço para o lazer. O filó era uma forma de lazer, uma parada pra se restabelecer. Sempre com a religiosidade, o canto e a alimentação presentes. Uma maneira importante para lembrar os antepassados, as famílias que ficaram na Itália. A fartura do italiano chegou depois de um certo momento, quando as colônias começaram a se desenvolver”, conta a diretora.

Durante o ritual do Filó tradicional, marcado pela religiosidade, cooperação, ajuda mútua, além da preparação e partilha dos alimentos, todos os membros das famílias – mulheres, homens e crianças – dividem o mesmo espaço, cada qual fazendo uma atividade. Segunda a diretora, na manifestação original, os homens gostam de jogar mora (jogo tradicionalmente realizado em língua Talian, trazido pelos imigrantes da região italiana de Vêneto em que os competidores tentam acertar o número do conjunto de dedos que o adversário coloca sobre a mesa), baralho e de beber vinho. As mulheres trocam algum tipo de técnica de artesanato crochê, bordado, como o trançado da dressa, feito com palha de milho, para compor chapéus de palha e cestos. Os homens jogam, as mulheres fazem artesanato enquanto trocam experiências e as crianças se divertem com brinquedos feitos por elas mesmas.

Esta preparação do alimento é um ritual de compartilhamento, fortalecimento cultural e criatividade. “Quase todas as comidas típicas italianas vêm de uma mistura simples, basicamente, farinha de trigo, farinha de milho, ovos e leite, às vezes, açúcar, dependendo do que tem disponível. No Filó, tem o preparo do alimento ou cada um traz o seu prato pronto ou pré-pronto. É uma ação conjunta que normalmente começa com as orações em agradecimento e a partilha”, explica Maria Odete.

A ideia de construir um filme sobre o Filó surgiu da necessidade de registrar a manifestação que, aos poucos, vem se perdendo por causa do distanciamento das novas gerações em relação a este conhecimento tradicional, segundo conta a diretora. De acordo com ela, a obra é uma forma de contribuir com a preservação do patrimônio imaterial da colonização italiana, como o diálogo em Talian, a gastronomia, o jogo da mora e o artesanato típico.

A diretora – Formada em Administração e pós-graduanda em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de Santa Maria, Maria Odete Meotti de Bairros é consultora financeira e administrativa.

Apaixonada pelas diferentes expressões artísticas e culturais e inspirada pelo saudoso pai Amadeu Pereira de Bairros, com quem aprendeu a cozinhar, a diretora fez um curso de extensão para Chef de Cozinha pela Escola de Gastronomia da Universidade de Caxias do Sul (UCS) em parceria com o Italian Culinary Institute for Foreigners (ICIF) e começou a pesquisar sobre as tradições culinárias de imigrantes italianos. A realização do filme através do Revelando os Brasis VI trouxe-lhe a oportunidade de retribuir à população com quem convive um pouco do aprendizado colhido ao longo da vida.

“O aprendizado, principalmente, na pré-produção e nos dias de gravação foi incrível. Amei trabalhar em conjunto com os atores, tanto os amadores, moradores da cidade, quanto com a equipe profissional em paralelo. Foi instigante, divertido e muito emocionante. O fato de deixar um legado para cidade me marcou bastante. Gosto de poder demonstrar em imagens o “espírito” do Filó, de união, confraternização e paz, muito diferente do mundo em que vivemos hoje”, declara Maria Odete.

 

SERVIÇO

Revelando os Brasis Ano VI

Circuito Nacional de Exibição

 

Lançamento do filme Filó

Data: 05 de outubro (sexta-feira)

Local: Praça Garibaldi

Horário: 19 horas

 

Filó

Direção, roteiro e produção: Maria Odete Meotti de Bairros

Antônio Prado – RS

Nasceu em 1972. Ensino Superior. Administradora.

Ficção: Uma família de imigrantes italianos mantém por várias gerações a tradição de receber amigos, parentes e vizinhos em sua casa para o Filó. Juntos, em torno da mesa farta, comemoram a vida e mantêm as tradições de seus antepassados.

Confira fotos das gravações:

Fotos: Ratão Diniz/Instituto Marlin Azul

 
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