EDIÇÃO - Ano VI

Hora de voltar para casa e espalhar a semente!

Quinze pessoas, quinze pequenas cidades, quinze histórias e infinitas possibilidades de aprendizado, descoberta e transformação. Depois de 14 dias de estudo intenso, os autores selecionados pela sexta edição do Revelando os Brasis retornaram neste domingo (27/08) para seus municípios de origem.  A noite de encerramento reuniu alunos, professores, a equipe organizadora e convidados e contou com a entrega dos certificados de participação no curso de 87 horas.

Apesar do cansaço da maratona de aulas, o grupo sente-se revigorado para viver a próxima etapa. Com o roteiro, o plano de filmagem e o plano de produção em mãos, as turmas de ficção e documentário têm a missão de organizar a gravação das histórias. Na pré-produção, os diretores mobilizam os moradores interessados em integrar a equipe local, que se somarão à equipe de profissionais contratados pelo projeto.  Na bagagem, conhecimento para ser repartido e multiplicado com a comunidade.

Doze estados têm histórias escolhidas nesta nova edição: Bahia (Lençóis e São José do Jacuípe); Minas Gerais (Barroso e Urucuia); Espírito Santo (Laranja da Terra e Vargem Alta); Alagoas (Quebrangulo); Ceará (Icapuí); Mato Grosso (Nossa Senhora do Livramento); Pará (Bom Jesus do Tocantins); Paraíba (São Domingos do Cariri); Rio Grande do Sul (Antônio Prado); Santa Catarina (Guarujá do Sul); São Paulo (Águas de Lindóia) e Tocantins (Arraias).

O Projeto – O Revelando os Brasis promove a democratização do acesso aos meios de produção audiovisual, oferecendo aos moradores das pequenas cidades a possibilidade de contar suas próprias histórias em filmes. Realizado pelo Instituto Marlin Azul, com o patrocínio da Petrobras, o projeto é um instrumento de registro da memória e da diversidade cultural do país e revela novos olhares sobre o Brasil.

Nas cinco primeiras edições, entre 2004 e 2016, foram produzidas 180 obras, entre ficções, documentários e uma animação. Os filmes realizados são lançados nas comunidades participantes por meio do Circuito Nacional de Exibição Revelando os Brasis, que monta um cinema ao ar livre em ruas e praças dos municípios. Ainda na fase de difusão do projeto, os filmes são lançados em DVD com distribuição gratuita entre realizadores, secretarias, organizações sociais e culturais, bibliotecas públicas, cinematecas, universidades e cineclubes de todo o Brasil. As produções também são exibidas no programa de TV Revelando os Brasis, realizado em parceria com o Canal Futura.

Confira o que contaram alguns participantes sobre a experiência do curso:

Geilane de Oliveira (São José do Jacuípe – Bahia) – “Tem sido gratificante participar da VI edição do Revelando os Brasis. É, realmente, uma experiência enriquecedora e de grande aprendizado. Essas duas semanas que passamos no Rio foram suficientes para ampliar o nosso horizonte sobre cinema e audiovisual. Tivemos professores/as incríveis com dicas e referências importantes, que têm nos ajudado a desenvolver as histórias de maneira mais atenta e com uma sensibilidade que tem potencial para impactar positivamente as nossas comunidades e municípios. Somos de interiores tão carentes e que não têm (ou têm pouco) estímulo à cultura e ao audiovisual, por isso os nossos filmes serão sementinhas plantadas e, com certeza, as pessoas serão representadas neles. É tão necessário esse lugar de fala, essa representação local, porque quase nunca nos sentimos representados/as pelo grande cinema, pela grande mídia, e o diferencial deste projeto é justamente permitir que nós de cidadezinhas quase esquecidas falemos destes lugares, estando nesses lugares. Acredito que este será o nosso maior desafio daqui pra frente: falar das nossas “aldeias” de forma criativa, de modo que elas se percebam representadas. E essa janela de projeção são os nossos filmes que, com a mobilização adequada, poderão transformar e fortalecer ainda mais as nossas aldeias. Não tem palavra que expresse o quão incrível foi e está sendo vivenciar essa experiência. De verdade, a gente fica emocionada, orgulhosa e alegre por ser sortuda e ter sido selecionada pelo projeto.”

Pattrícia de Aquino (São Domingos do Cariri – Paraíba) – “Pra mim tá sendo uma experiência incrível, momento único na minha vida, será um divisor de águas. Esse aprendizado que estamos tendo vai mudar a vida de todos. Estou mega feliz e com muitas expectativas. Foram tantos aprendizados significativos, mas a direção de fotografia e o roteiro sem dúvida foram muito maravilhosos, me fizeram enxergar o filme de uma forma diferente. Conhecimento pra vida. Entrei leiga praticamente e saí me sentindo uma profissional.”

Joelson de Oliveira (Quebrangulo – Alagoas) – “O projeto Revelando os Brasis tem me proporcionado a melhor experiência da minha vida até o momento, além de nos proporcionar a oportunidade de projetar os valores de nosso povo para o mundo. Em uma palavra descrevo o projeto como “apaixonante”. Após as oficinas, eu já posso afirmar que não sou mais o mesmo, já sinto a transformação que está nos tocando.”

Rafael Wolfgramm (Laranja da Terra – Espírito Santo) – “Participar do projeto é gratificante, pois o formato dele não envolve consultorias locais com cada selecionado, mas a reunião de todos durante 14 dias. Esses 14 dias são um convite à diversidade étnica, cultural e social. Chaves para um mundo mais justo. Mas de fato, pensar na possibilidade que estaremos levando cinema à pessoas afastadas dos grandes centros, e que provavelmente se verão em uma tela pela primeira vez, é encantador e valioso. Transformar o sonho em realidade.”

Lucrécia de Moura Dias (Arraias – Tocantins) – “Esses 14 dias de curso foram muito importantes para mim, aprendi coisas novas e vai ser muito bom para minha formação profissional. Estou muito feliz por ter conhecido pessoas maravilhosas que vão ficar no coração para sempre.”

Maria Odete Meotti de Bairros (Antônio Prado – Rio Grande do Sul) – “Participar deste projeto significa para mim um grande aprendizado. A troca de informações entre os professores, produção e colegas é engrandecedora e transformadora. Pertencer a este grupo e começar a ver a vida pela ótica do cinema é maravilhoso. Sou imensamente grata por esta oportunidade! A experiência de redigir um roteiro, adaptá-lo, enriquecê-lo com detalhes técnicos, dirigir e produzir o filme é algo difícil de explicar com palavras!”

Cesar Luís Theis (Guarujá do Sul – Santa Catarina) – “O Revelando os Brasis é além de uma grande oportunidade de aprender a fazer cinema, uma experiência coletiva de aprendizagem que evidencia quanto a linguagem audiovisual tem em si uma característica de entretenimento mas também pode ser constituída de diálogos com a realidade sociocultural dos seres humanos, elemento de mudança e transformação.”

Carlos Henrique da Costa (Águas de Lindóia – São Paulo) – “Nos sentimos acolhidos por pessoas sensíveis, em um ambiente amistoso e protegido, organizado minuciosamente para proporcionar condições necessárias ao processo de criação que fluiu em meio ao aflorar de emoções do tipo que depois de vividas, jamais se esquece. Retornamos às nossas famílias e comunidades ansiosos por compartilhar nossas histórias, e maravilhosamente inspirados a contar nossas histórias ao mundo através de nossos filmes. A essa equipe fantástica e aos revelandos, todos inclusos no nosso mais íntimo hall de amizade, manifesto minha profunda gratidão.”

Sheila Altoé (Vargem Alta – Espírito Santo) – “O curso foi maravilhoso. É uma experiência única que trouxe um rico aprendizado e abre as portas pra muitas outras possibilidades, além de fazer filmes, que estamos agora levando em nossa bagagem para nossos municípios. Percebe-se que a equipe Marlin Azul e os professores se dedicam ao projeto com a alma porque sabem a mudança que estão provocando em nós. Seremos multiplicadores dos conhecimentos relacionados ao audiovisual que ainda não estão ao alcance da maioria das pessoas. É uma nova forma de ver, apreender e mostrar o mundo.”

Paulo Alexandre Coelho (Barroso – Minas Gerais) – “Os minutos finais estão chegando, acho que foi mais ou menos isso que a Cinderela sentiu antes da meia-noite, a carruagem virará abóbora?? Não… acredito que não porque nesse conto de fadas que eu vivi, tenho comigo a coragem da Guerreira Gavião, a inspiração do Pescador de Memórias, a força do Quilombo Mata Cavalo, a alegria da Sússia, o mistério da Nega da Costa. Amigo, a gente não esquece: é como andar de bicicleta, né Carlinhos? Guardarei todos pra sempre como uma fotografia pomerana. Jacaré, o Boi Cavalo veio visitar o Rio. As gotas do mar já descem nos olhos. Sim, Boi também chora. Mas de tudo isso, o que ele já sabe é que sua história terá um final feliz. Obrigado a todos por me transformar em uma pessoa melhor. Uma experiência ímpar! Foi ótimo participar, vivenciar histórias de todo Brasil, conhecer pessoas tão especiais que somaram e deixaram um pouco de si em mim. Tudo que aconteceu aqui perpetuará pra sempre na minha vida. Foi demais!”

Marcelo Sannyos (Urucuia – Minas Gerais) – “O Revelando os Brasis superou todas as minhas expectativas em relação à produção de filmes. Definitivamente foi engrandecedor para mim. Pude aprender muito com ótimos professores. Volto na certeza que tudo que aprendi nesses dias imersos será colocado em prática na produção do meu primeiro documentário.”

Andrea Guanaes (Lençóis – Bahia) – “Quinze dias, quinze histórias, quinze pessoas, quinze cidades e diferentes regiões do Brasil. Amigos formados, companheirismo, parcerias, antes de qualquer história particular teve a nossa própria história. Não foi só o encontro, foi o encanto do cinema, sob todos os ângulos e planos. Fomos além, subimos um degrau. Eu carrego comigo muita alegria e um enorme aprendizado por este encontro, uma profunda gratidão pela oportunidade e a responsabilidade de revelar meu pedaço de Brasil em imagens.”

Robson Messias Lucas (Bom Jesus do Tocantins – Pará) – “Para mim, o cinema era só pegar uma câmera e sair filmando. Foi uma experiência ótima! Antes de ir, tinha uma visão completamente diferente do que era isso, mas durante a minha estadia, no Rio de Janeiro, percebi que além de ser totalmente diferente, também possui suas incógnitas, como qualquer outra arte. Amei de verdade, inclusive me senti um verdadeiro cineasta. Aprendi muitos vocabulários e novas formas de se fazer um filme. Conheci pessoas maravilhosas que se Deus quiser vão sempre fazer parte da minha vida. Conheci lugares incríveis, onde eu me sentia em um filme. Esse intercâmbio foi algo muito importante na minha vida, e agora eu ganhei mais ideias de projetos e de responsabilidade; já penso em fazer outros filmes. O cinema é uma maravilha! E como aquela frase do Raul Seixas “Queira! Basta ser sincero. E desejar profundo. Você será capaz de sacudir o mundo. Vai! Tente outra vez!” Agradeço a todos do Revelando os Brasis que me ajudaram nessa conquista.”

Eliabe Crispim (Icapuí – Ceará) – Realidades e ficções serão retratadas através de 15 filmes na VI edição do Revelando os Brasis. Ser um dos revelandos é muito bom; uma mistura de sonhos com responsabilidade embala a realização de cada filme. Conhecer o mundo do cinema por trás das câmeras nos leva a entender como isso acontece, proporcionando  conhecimento e firmeza para continuar nossa história. Foram dias de muito aprendizado, partilha e vivências que ficarão para sempre na vida de cada um. O mundo do audiovisual nos alcançou de uma maneira emocionante, pois agora podemos multiplicar esse conhecimento e produzir filmes na nossa cidade. Não poderia deixar de citar aqui meus sinceros agradecimentos a toda equipe do Instituto Marlin Azul na pessoa da Beatriz que, de forma harmoniosa, conduz sua equipe e o projeto. Poder compartilhar nossas histórias com o outro e com o universo é encantador. Vamos à Luta!

 

Fotos: Ratão Diniz/Instituto Marlin Azul

 

 
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